Cinema

Ziegfeld - O Criador de Estrelas

Ziegfeld - O Criador de Estrelas
Título original: The Great Ziegfeld
Ano: 1936
País: Estados Unidos
Duração: 185 min.
Gênero: Drama / Musical
Diretor: Robert Z. Leonard
Trilha Sonora: Walter Donaldson
Elenco: William Powell, Luise Rainer, Myrna Loy, Frank Morgan, Reginald Owen, Virginia Bruce, Nat Pendleton, Paul Irving, Fanny Brice, Ray Bolger, Ernest Cossart, Joseph Cawthorn, Harriet Hoctor, Jean Chatburn, A.A. Trimble, Buddy Doyle
Distribuidora do DVD: Warner
Avaliação: 7

Primeira cinebiografia a vencer o Oscar de melhor filme na história, Ziegfeld foi um tributo já então bastante esperado ao maior showman que já passara pela Broadway. Foi realizado somente quatro anos depois de sua morte, e aproveitou-se de alguns dos astros que trabalharam com ele no final de sua carreira, que representaram a si mesmos em celulóide com o mesmo entusiasmo de outrora. Eles integram números musicais imponentes e de extremo bom gosto, que preenchem boa parte das três horas de duração da película.

A história acompanha o curso da vida de Florenz Ziegfeld, Jr. a partir de 1893, o início de sua carreira como produtor de shows em Chicago. O primeiro sucesso vem com o número do fortão Eugene Sandow (Nat Pendleton), o que lhe abre a mente e as oportunidades para se lançar na Broadway. Sempre se digladiando com o também produtor Jack Billings (Frank Morgan) à procura das melhores oportunidades e dos mais talentosos artistas, Ziegfeld segue sua trajetória ascendente em meio a atropelos financeiros decorrentes de seu vício no jogo, que viriam a deixá-lo por várias vezes completamente sem dinheiro. O primeiro arco de prestígio vem com sua associação com a primeira esposa, a cantora francesa Anna Held (Luise Rainer). Mais adiante, é sua segunda esposa Billie Burke (Myrna Loy) que o acompanha até o ocaso de seu sucesso, sua sorte e sua vida.

'Flo' Ziegfeld ganha neste filme um retrato deveras bondoso, pintado pelos roteiristas sob supervisão constante de sua viúva Billie Burke. O enredo passa longe de vários dos eventos escandalosos que marcaram sua carreira, a grande maioria deles associados às suas infidelidades crônicas para com as esposas. Todas as suas libertinagens foram, para todos os efeitos, condensadas na personagem Audrey Dane (Virginia Bruce), que nesta adaptação acaba sendo o pivô da separação de Ziegfeld e Anna Held. Fictícia também é a figura do produtor Jack Billings, inserida na história como retrato do desespero dos concorrentes diretos de Ziegfeld no showbusiness e, por decorrência disto, muitas vezes convertido no alívio cômico da narrativa. Também neste personagem está o reflexo da simpatia e da capacidade de persuasão característicos do verdadeiro Ziegfeld, um sujeito obstinado que cativava a todos com seu faro super apurado para talentos e mulheres bonitas, sem contar o tino para a promoção publicitária de seus astros através de notícias estapafúrdias. Pelo menos nisto, a caracterização da índole do produtor, o filme parece ter sido completamente fiel.

Por qualquer lado que se olhe, o forte deste drama com pitadas de comédia um pouco longo demais são mesmo os números musicais, quase todos concentrados na sua segunda metade. Apesar disso, o filme não entra nos detalhes do processo de criação de seus shows, como os famosos "Follies", combinações atraentes de espetáculo visual, belas garotas e comédia leve. Pela escala com que estes espetáculos aparecem no filme, dá para se ter uma idéia do impacto que Ziegfeld teve no teatro e de sua contribuição para o desenvolvimento da linguagem dos musicais. Ainda hoje é impressionante a seqüência de A Pretty Girl Is Like a Melody, encenada sobre um palco giratório em espiral a um custo exorbitante para a época, tudo em apenas uma tomada! Plasticamente falando, outros atrativos de encher os olhos são o número das vedetes com cães adestrados e o elástico sapateado de Ray Bolger. A contratação de William Powell na pele do protagonista foi uma boa escolha, já que o ator transmite com propriedade a aura entusiasmada e despreocupada de Ziegfeld.

Acompanham o filme no DVD um documentário de menos de 15 minutos sobre a obra com várias entrevistas, incluindo depoimentos atuais de Luise Rainer, ganhadora do Oscar de melhor atriz por seu papel. Há ainda um especial da época (4 minutos) sobre o lançamento do filme, acompanhado por testimoniais de várias pessoas que estiveram presentes durante o evento.

Texto postado por Kollision em 20/Março/2006