Essa se Fodeu...

Estava eu aqui, sentado a trabalhar em meu computador certa noite na quietude do meu quarto, e eis que começo a ouvir um barulho estranho.

Era como o barulho que o HD faz quando está sendo acessado, só que um pouco mais estalado. Encostei o ouvido no computador para me certificar, mas não. O ruído não vinha do computador. Alguns minutos depois, o mesmo barulho. E então pensei que podia ser o celular acusando descarga de bateria. Como trata-se de um modelo novo, eu ainda não o tinha ouvido urrar quando está prestes a morrer. Alarme falso: a bateria do celular estava carregadinha da silva.

Como o ruído tornou-se mais constante, pensei que ele poderia estar vindo de algum dos sites que estavam abertos em meu browser no momento. Alterei o volume das caixas de som para cima e para baixo... e nada.

Umas duas horas depois, decidi que era hora de ir ao supermecado abastecer a reserva de cervej... isto é, de mantimentos, e fui ao armário pegar uma camiseta.

Só então, meus caros leitores, é que eu descobri de onde vinha o ruído. Cliquem aqui e vejam.

Era essa danada que estava fazendo o barulho, em seu desespero para escapar da merda em que tinha se metido. Aparentemente, la cucaracha estava na hora errada e no lugar errado, exatamente no momento em que eu estava tirando algumas coisas do armário – logo que cheguei em casa! Como a câmera estava à mão, registrei a cena e depois borrifei um veneninho na bicha (na verdade, lambuzei-a inteira). Acreditem, a danada se contorceu por mais umas duas horas, e só foi morrer mesmo lá pela madrugada.

Ou ela era uma barata ninja que se tornou vítima de um destino insólito, ou esse tal de SBP não vale nada mesmo. Ou talvez as duas coisas.

Texto postado por Kollision em 3 de Setembro de 2008

Filmes Vistos em Agosto - Parte 2

Kung Fu Panda (Mark Osborne e John Stevenson, 2008) 7/10

Vozes: Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Ian McShane, Jackie Chan

A fórmula infalível do herói oculto sob a pele de um zé-ninguém se encontra com a também certeira estratégia de substituir os personagens por animais. Quanto mais fofinhos melhor, é claro. E que animal é universalmente mais "fofinho" – e lerdo, gordo e preguiçoso – que um urso panda? O contraste temático é o combustível primordial que move mais esta fábula de animação, ambientada na China antiga e carregada de mensagens associadas. Po (voz de Jack Black) é o tal urso, que trabalha com o pai (um ganso!) num restaurante de macarrão mas sonha dia e noite com os heróis do kung fu. Quando o ancião-mor da região o aponta como o novo mestre guerreiro, aquele que irá libertar o povo da fúria de um vilão que está prestes a surgir, as coisas ficam de pernas pro ar no mausoléu do mestre Shifú (voz de Dustin Hoffman), pois o velhinho se vê com a responsabilidade impossível de treinar seu gordo e comilão aprendiz. Para um tema tão batido, a execução é pelo menos correta. A ênfase na ação é talvez o motivo de porque não há tantas gargalhadas à vista, apesar de algumas passagens serem realmente hilariantes – a minha favorita é a do "nervo facial".

O Cadáver Desaparecido (Wallace Fox, 1942) 3/10

Com: Bela Lugosi, Luana Walters, Tristram Coffin, Elizabeth Russell, Angelo Rossitto

Já durante o período em que o declínio de sua carreira era mais do que evidente, o ícone do horror Bela Lugosi protagonizou mais uma espécie de cientista louco em O Cadáver Desaparecido, uma farsa sem-vergonha que, na maior parte do tempo, não faz sentido algum. No papel de um médico e especialista em orquídeas selvagens, ele se lança numa campanha para sorver os fluidos de jovens noivas (apenas aquelas que puderem ser mortas e capturadas no dia do casamento!) e assim aplicar o soro obtido em sua esposa moribunda. Os planos de Lugosi e seus ajudantes serão confrontados por uma repórter enxerida (a bela Luana Walters) e por um jovem médico que freqüenta a casa do maluco (Tristram Coffin). À medida em que se aproxima do desfecho, a história sem pé nem cabeça sofre da usual deterioração narrativa dos pastiches da época, com diálogos prolixos e relativamente pouco ou nenhum diferencial para quem não se interessa pela figura icônica de Lugosi. Aproveitando-se do ator, percebe-se também várias tentativas do roteiro em mimetizar passagens e situações do clássico Drácula (Tod Browning, 1931). Enfim, indicado somente para os fãs hardcore do antigo astro.

A Última Gargalhada (F. W. Murnau, 1924) 9/10

Com: Emil Jannings, Maly Delschaft, Max Hiller, Emilie Kurz, Hans Unterkircher

Murnau foi um dos principais cineastas do cinema mudo, e se alguém ainda tem alguma dúvida disso, basta conferir este filme. Sem qualquer cartela de legendas para diálogos, o máximo que ele usa são uma ou duas legendas que utilizam exposição prática para fazer fluir a narrativa – incluindo aquela que precede o epílogo, imposição do estúdio que o diretor foi obrigado a incorporar ao trabalho finalizado. O filme relata o drama de um orgulhoso porteiro de hotel (Emil Jannings) que é rebaixado para atendente/limpador de banheiros e vê esfacelar seu status social junto à família e à vizinhança onde mora. Marcado por cenas altamente elaboradas (como a abertura no saguão do hotel), delírios oníricos quase cômicos e um tom exponencialmente opressivo, este é um dos mais laureados e interessantes dramas realizados pelo movimento expressionista alemão. Saibam todos que, apesar de não ser uma prática usual no Brasil, lá fora o tal do toilet attendant é coisa comum, tal como uma versão gringa e legalizada dos insuportáveis flanelinhas.

Suor Emanuelle (Giuseppe Vari, 1977) 5/10

Com: Laura Gemser, Mónica Zanchi, Gabriele Tinti, Vinja Locatelli, Pia Velsi

A.K.A. Sister Emanuelle — Para os desavisados (como eu antes de assistir a esse filme): Emmanuelle com dois Ms refere-se à versão francesa da personagem, popularizada por Sylvia Kristel a partir de 1974. Emanuelle, com um só M, é a sua contraparte italiana, geralmente referida como Black Emanuelle, protagonizada por Laura Gemser e produzida a partir do ano seguinte. Ambas as séries são uma espécie de cartão de visita dos filmes softcore da década de 70.

Suor Emanuelle é tido como uma entrada bastarda na seqüência de filmes da Emanuelle negra, seja por sua ambientação ou pelo tema principal, um desvio único em direção ao nunsploitation puro. Na história, Emanuelle se converteu em freira para se purificar dos pecados da carne, vivendo reclusa num mosteiro que funciona como colégio interno para adolescentes. A chegada de uma nova, bela e devassa aluna (Mónica Zanchi) desencadeia uma série de eventos que colocarão à prova a sua determinação religiosa. Como de costume, não há nada explícito em cena, com uma certa monotonia se instalando depois de algum tempo de filme. O final, no entanto, reserva uma pequena e agradável surpresa.

Divagações postadas por Kollision de 30 a 31 de Agosto de 2008

7º Torneio de Vídeo-Game “Do Além”

24 de Agosto, Domingo.

Sob o calor escaldante do inverno cuiabano, mais uma vez um grupo de amantes de vídeo-game se reuniu para se divertir no 7º Torneio "Do Além". Nove participantes, dez jogos disputados. Atari 2600, Master System, Mega Drive, Super Nintendo, Playstation e Playstation 2 como o cardápio da vez. Pessoalmente, senti falta de jogos do Saturn e do Dreamcast.

Com dois novos competidores em cena e quatro jogos inéditos, a competição se mostrou acirrada durante a maior parte do tempo, ganhando vencedor definitivo somente em sua reta final. Não sei se só eu percebi, mas parece que desta vez todo mundo estava com algum verme de velocidade, pois basta ver o número de jogos do gênero escolhidos: nada menos que a metade deles!

Campeões tombaram, reinados caíram e barrigas verdes emplacaram títulos em suas primeiras participações. Alguns gatos pingados ficaram com medinho e pediram pra sair logo de cara, desfalcando o que teria sido o nosso recorde de participações. Para eles, para quem morre de vontade de participar e não pode e para quem está curioso, vejam abaixo o relatório detalhado de tudo o que rolou neste 7º Torneio "Do Além".

7º Torneio de Vídeo-Game "Do Além"
Os participantes do 7º Torneio de Vídeo-Game "Do Além"

7º Torneio de Vídeo-Game "Do Além"
Reparem no sorriso maldoso do Bruno enquanto ele se prepara para destruir sua primeira vítima no The King of Fighters '99 do Playstation

7º Torneio de Vídeo-Game "Do Além"
Max e Geovani fazem o que podem para conseguir bons tempos no Top Gear 2 do Mega Drive – ambos terminaram abraçados em 6º e 7º

7º Torneio de Vídeo-Game "Do Além"
Duelo de novos participantes no Killer Instinct do Super Nintendo: Christian × Rodrigo Manzano

7º Torneio de Vídeo-Game "Do Além"
Tio e sobrinho se enfrentam na disputa pelo 3º lugar de Marvel Vs. Capcom 2 do Playstation 2

7º Torneio de Vídeo-Game "Do Além"
Ozlean tenta manter seu título de campeão no Need for Speed Underground do Playstation 2, mas não consegue evitar que Edward avance rumo à taça

7º Torneio de Vídeo-Game "Do Além"
Felipe e sua fúria assassina contra patos e coelhos no Safari Hunt do Master System

Jogo 1: Sonic the Hedgehog 2 (Mega Drive)

Sonic the Hedgehog 2

Jogo indicado por Felipe.

Quando Felipe anunciou que o jogo de abertura seria Sonic 2, todo mundo já foi logo pensando que ele havia treinado para destruir os adversários com um tempo ainda menor que na vez anterior em que o jogo foi disputado. A verdade é que, aparentemente, ele não treinou, como indica seu desempenho sofrível. O ex-campeão Edward também passou vergonha, venho o título passar para Ozlean, que começou a sua campanha neste Torneio de forma fulminante.

O critério de pontuação continuou o mesmo: tempo mínimo na fase Emerald Hill Zone Act 1, com desempate por número de argolas.

Resultado: Sonic the Hedgehog 2 (Mega Drive)

Jogo 2: Out Run (Mega Drive)

Out Run

Jogo indicado por Edward.

Clássico absoluto da era dos 16 bits e, particularmente, do Mega Drive, Out Run estreou em nossos Torneios incendiando rivalidades, com participantes torcendo como nunca pelas capotagens dos adversários. Este foi mais um caso em que o desafiante de sagrou campeão, realizando o percurso completo!

Critério: pontuação máxima jogando no nível NORMAL. Simples, não?

Resultado: Out Run (Mega Drive)

Jogo 3: The King of Fighters '99 (Playstation)

The King of Fighters '99

Jogo indicado por Max.

Sem Karlos para defender o título, a faixa de campeão desta vez passou para Bruno, que simplesmente destruiu os adversários um a um em seu caminho até o topo do pódio. Teve gente que não conseguiu sequer derrotar um de seus três jogadores, em partidas disputadas na modalidade Team Vs. Na final, por exemplo, bastou seu Iori para exterminar toda a equipe de Geovani, formada por Ralf, Clark e Chang.

Resultado: The King of Fighters '99 (Playstation)

Jogo 4: Top Gear 2 (Mega Drive)

Top Gear 2

Jogo indicado por Ozlean.

Neguinho chegou até a ter calafrio na espinha quando a música de Top Gear 2 tocou pela primeira vez, relembrando tempos de vício que, se depender da gente, voltam sim senhor (sai pra lá com esse negócio de "não voltam mais"). O desafio aqui foi conseguir o menor tempo em pista específica: no caso, o primeiro percurso da Austrália. Os competidores jogaram em duplas com tela split-screen, exceto por Rodrigo Manzano, que chegou atrasado ao evento e passou a integrar as disputas a partir deste jogo.

Resultado: Top Gear 2 (Mega Drive)

Jogo 5: Tennis (Atari 2600)

Tennis

Jogo indicado por Eduardo Lopes.

Tennis é um jogo que continua a ter muito prestígio entre aqueles de nós que fazem parte de uma geração mais antiga de gamers. Ansioso para resgatar seu título de campeão, Eduardo colocou o jogo de volta à grade do Torneio, mas viu suas intenções serem frustradas na final pelo novato Rodrigo Manzano. O esquema de disputas foi o mesmo de sempre, ou seja, melhor de três games. Ozlean, o campeão anterior, foi mais uma vítima no caminho de destruição trilhado por Rodrigo.

Resultado: Tennis (Atari 2600)

Jogo 6: Killer Instinct (Super Nintendo)

Killer Instinct

Jogo indicado por Geovani.

Correndo por fora na onda deflagrada por Street Fighter e Mortal Kombat estava Killer Instinct, jogo do Super Nintendo que, na época áurea dos vídeo-games de 16 bits, chegou a ganhar uma boa base de fãs. Como Geovani, que o indicou com a intenção de trucidar todos com suas habilidades. Seu desempenho, no entanto, foi nada menos que vergonhoso. Na final, o combate que definiu o campeão foi travado entre fogo e gelo: Edward jogando com Cinder e Ozlean jogando com Glacius.

Resultado: Killer Instinct (Super Nintendo)

Jogo 7: Marvel Vs. Capcom 2 (Playstation 2)

Marvel Vs. Capcom 2

Jogo indicado por Christian.

Marvel Vs. Capcom 2, como todos sabem, é o jogo recordista de disputas em nossos Torneios. Até agora, ele só esteve ausente de duas edições de nossos memoráveis combates. A pancadaria correu solta mais uma vez, com o título de campeão retornando às mãos de Edward: jogando com Spider-Man, Cyclops e Guile, ele conseguiu derrotar por muito pouco a equipe de Felipe (Wolverine, Ryu e Captain Commando).

Resultado: Marvel Vs. Capcom 2 (Playstation 2)

Jogo 8: Road Rash 3D (Playstation)

Road Rash 3D

Jogo indicado por Bruno.

Não há dúvida de que qualquer jogo da série Road Rash é unanimidade em matéria de diversão. Boa parte dela, neste caso, se deveu à torcida sanguinária dos competidores, que se deliciavam ao ver os adversários capotarem na pista ou serem presos pela polícia. O único que passou ileso por tudo, e desta vez acabou levando o troféu, foi o novato Christian.

O critério foi o menor tempo na pista de Dewkeys 1, todos jogando com a mesma moto.

Resultado: Road Rash 3D (Playstation)

Jogo 9: Need for Speed Underground (Playstation 2)

Need for Speed Underground

Jogo indicado por Rodrigo Manzano.

Foi um longo reinado, mas desta vez a hegemonia de Ozlean foi quebrada por Edward, em disputas acirradíssimas contra oponentes duríssimos. Todos jogaram com o Mitsubishi Eclipse ou o Mazda RX-7 nas pistas de Olympic Square ou Inner City, em duas voltas com tráfego ajustado no máximo. Daí dá para se ter uma idéia do nível de adrenalina nesta reta final do 7º Torneio Do Além!

Resultado: Need for Speed Underground (Playstation 2)

Jogo 10: Safari Hunt (Master System)

Safari Hunt

Jogo indicado por Max.

Único jogo de uma segunda rodada de "saideira", Safari Hunt foi a tentativa de Max de sair com honra de uma campanha desastrosa neste Torneio. De certa forma ele conseguiu, já que marcou a terceira melhor pontuação, mas ele foi obrigado a ver o título de campeão ir parar nas mãos de outro.

Nesta última etapa, Ozlean ficou com medinho e pediu pra sair. Por que será? Alguém se lembra dos eventos do nosso 4º Torneio?

Resultado: Safari Hunt (Master System)

Classificação Final

Nove participantes e uma rodada completa de jogos, com lotação de espaço para o Mega Drive e uma ocorrência não usual de títulos de corrida e de disputa por tempo. As nossas regras de pontuação continuam as mesmas: 3 pontos para o primeiro colocado, 2 pontos para o segundo e 1 ponto para o terceiro, com os demais não pontuando. Todo mundo conseguiu papar alguns pontos da tabela geral, cuja classificação final ficou assim:

  1. Edward (18)
  2. Bruno (13)
  3. Ozlean (9)
  4. Felipe (5)
  5. Geovani/Christian (4)
  6. Eduardo Lopes/Rodrigo Manzano (3)
  7. Max (1)

Para conferir como andam as estatísticas gerais de todos os nossos torneios, visite a página especial dos Torneios de Vídeo-game "Do Além"!

Parabéns a todos, e até a próxima!

Texto postado por Kollision em 26 de Agosto de 2008

A Ameaça dos Filmes Dublados

Now showing...

Estou ficando preocupado com o rumo que o mercado de cinema comercial está tomando, especialmente em minha cidade.

É fato comum que, na roça (leia-se: cidades do interior), são predominantes as sessões de filmes dublados, com raras exceções que chegam graças a algumas sobras do circuito das capitais. O problema é que, agora, as capitais parecem estar adotando a medida de priorizar também os filmes dublados.

Tomem estas últimas semanas, por exemplo. Sei que estamos no meio da temporada do verão norte-americano, mas as coisas nunca foram tão ruins para quem quer correr dos blockbusters. São filmes pra crianças, desenhos, filmes imbecis, desenhos, filmes inassistíveis, desenhos, e quase todas as comédias estréiam somente com cópias dubladas. O Grande Dave: dublado. Zohan - O Agente Bom de Corte: dublado. Provavelmete, estes filmes estão longe de serem obras-primas. Mas eu não recusaria um novo do Eddie Murphy ou um novo do Adam Sandler para fugir das Múmias da vida. Na maioria das vezes, alguns filmes se dividem entre cópias legendadas e dubladas, com estas últimas tomando espaço de outros filmes que poderiam estar sendo exibidos com o áudio original.

Toma-lhe!

[ Nota: se você está em Cuiabá, saiba que as salas 5 a 8 do Cinemais 3 Américas podem ser tudo, menos salas de cinema ]

Algo muito errado está acontecendo com os filmes de terror, por exemplo, que praticamente sumiram da programação. A Encarnação do Demônio, que já está sendo consagrado como um dos melhores dos últimos tempos no cinema brasileiro, segue sem previsão de lançamento por aqui.

Do jeito que a coisa está indo vamos acabar ficando como a Alemanha, onde praticamente 100% dos filmes são exibidos em cópias dubladas.

E depois reclamam que eu só assisto filme velho...

Texto postado por Kollision em 24 de Agosto de 2008

Filmes Vistos em Agosto - Parte 1

A Múmia - Tumba do Imperador Dragão (Rob Cohen, 2008) 4/10

Com: Brendan Fraser, Maria Bello, Jet Li, Michelle Yeoh, Luke Ford

Filmes feitos com espírito de Sessão da Tarde não precisam ser necessariamente bobos como a abominação chamada A Múmia, dirigida por Stephen Sommers em 1999. Nem cheguei a assistir à primeira continuação, de tão desanimado. Eis que chega o mercenário Rob Cohen, um diretor que pelo menos tem demonstrado mais competência que a média em matéria de filmes para as massas, e se converteu no motivo que me tirou do torpor para ir assistir a essa nova aventura do clone de Indiana Jones feito por Brendan Fraser. Aqui o personagem começa aposentado da ação, ao lado da esposa (Maria Bello). Uma última missão os leva à China, de encontro ao filho já adulto (Luke Ford) e às voltas com a ameaça de um imperador sanguinário (Jet Li) que retorna à vida graças a um artefato mágico.

Rasteiro e carregado de seqüências de ação impossíveis, desta vez o roteiro não se mostra tão atroz quanto o do filme original. A decepção no elenco é Maria Bello, cuja caracterização forçada não a deixa imprimir sua própria marca e nem de perto consegue fazê-la lembrar Rachel Weisz. John Hannah continua sendo o palhaço que ninguém sabe porque continua no meio da ação. Enfim, se o que você procura é diversão vazia sem necessidade de cérebro...

Garotas Selvagens (John McNaughton, 1998) 6/10

Com: Matt Dillon, Kevin Bacon, Neve Campbell, Denise Richards, Bill Murray

A vida de um professor de ginásio (Matt Dillon) leva um baque quando uma de suas alunas avançadinhas (Denise Richards) subitamente o acusa de estupro. Segue-se mais uma acusação de outra ex-aluna drogada (Neve Campbell), e a merda vai para o ventilador de vez. Um policial (Kevin Bacon) acompanha o caso de perto, numa série de eventos que não são bem o que parecem. Tal qual o contemporâneo Lenda Urbana, Garotas Selvagens rendeu mais duas continuações, sendo que ambos caem na vala dos suspenses redondinhos cuspidos por Hollywood durante as entresafras do gênero. Neste aqui, o jogo de gato e rato entregue de bandeja já no trailer é facilmente previsível, apesar de bem engendrado. As famosas cenas tórridas entre o elenco principal nem são tão tórridas assim, mas pelo menos servem para desmistificar a imagem supervalorizada de Denise Richards. O resto é material de primeira – para um Super Cine de uma noite remelenta de Sábado.

Di yu wu men (Tsui Hark, 1980) 5/10

Com: Norman Chu, Kwok-choi Han, Eddy Ko, Melvin Wong, Michelle Mee

A.K.A. We're Going to Eat You — Pode até ser difícil para o espectador regular assistir aos seus filmes, mas para muita gente o nome Tsui Hark não é estranho. Mais conhecido por seus trabalhos em pastiches de artes marciais, até quem tem familiaridade com o diretor talvez nunca tenha posto os olhos nessa bizarrice que atende pelo nome ocidental de We're Going to Eat You. Não é preciso dizer que as seqüências de luta continuam lá, mas aqui elas dividem o espaço com uma aldeia de canibais liderada por um delegado psicótico (Eddy Ko) que se torna o alvo das investigações do agente 999 (Norman Chu) em sua busca por um bandido local. Correndo por fora está um larápio sem-vergonha (Kwok-choi Han) que não sabe se ajuda ou atrapalha o herói do filme. A comédia é exagerada, carregada de caras e bocas, e as passagens com gore espantam pelo nível de crueza. Um filme doentio, sim senhor, cuja excentricidade mórbida o desclassifica como uma pura comédia de horror sem contra-indicações.

O Auto da Compadecida (Guel Arraes, 2000) 6/10

Com: Matheus Nachtergaele, Selton Mello, Rogério Cardoso, Denise Fraga, Marco Nanini

Partindo do estrondoso sucesso da série feita para a televisão, filmada em película e originalmente dividida em quatro capítulos, o diretor Guel Arraes aceitou o desafio de condensar o material concebido para lançá-lo como um longa-metragem nos cinemas. É sabido que o sucesso se repetiu na tela grande, mas a que custo, para aqueles que tiveram a chance de assistir à série completa? Não quero dizer que a versão para o cinema esteja truncada de forma destrutiva, mas percebe-se que certas caracterizações, como a do padeiro avarento (Diogo Vilela), acabaram sofrendo com os cortes. Mas é a verborragia excessiva, herança da prosa teatral da obra original, a principal fonte de bloqueio para quem não tem familiaridade com a realidade e o humor nordestinos. Acaba não sendo muito fácil, à primeira vista, captar todas as nuances das traquinagens de João Grilo (Matheus Nachtergaele) e Chicó (Selton Mello) em sua luta pela sobrevivência no agreste da primeira metade do século 20. Para quem consegue assimilar o estilo, garanto que estão reservadas várias passagens hilárias.

Jogos Mortais III (Darren Lynn Bousman, 2006) 6/10

Com: Tobin Bell, Shawnee Smith, Bahar Soomekh, Angus Macfadyen, Donnie Wahlberg

A intenção era rever esta terceira parte logo após a sessão dupla que fizemos em Dezembro do ano passado (!). Bem, podemos tardar, mas falhar jamais! Uma das coisas que confirmei ao rever este episódio da já emblemática série de quebra-cabeças torture porn foi o grande salto no nível de sangue, que faz desta terceira parte provavelmente a mais pesada dos quatro primeiros longas (o quinto filme já está engatilhado para estrear em Outubro deste ano). Importante também é como pequenos trechos de Jogos Mortais III se entrelaçam com Jogos Mortais IV. Então nem preciso dizer (de novo) quão importante deve ser assistir a tudo sem muita demora, não é mesmo?

Arquivo X - Eu Quero Acreditar (Chris Carter, 2008) 8/10

Com: David Duchovny, Gillian Anderson, Amanda Peet, Billy Connolly, Mitch Pileggi

É fato que os personagens de uma série de incrível sucesso invariavelmente acabam se convertendo em imagens indissociáveis do programa ao qual pertencem. Arquivo X - Eu Quero Acreditar é um filme que exemplifica isso de forma exemplar, ao contar com um roteiro construído de forma sólida sobre tudo o que Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) representam, como ex-parceiros do FBI e inteligências complementares na resolução de mistérios que carregam um toque de sobrenatural. Um dos grandes acertos do filme é ser fiel às suas origens, sem no entanto se prender ao passado. Mulder começa como um recluso se escondendo das autoridades, enquanto Scully segue sua carreira como médica. Ambos são tirados de suas rotinas quando uma agente do FBI (Amanda Peet) solicita a ajuda de Mulder para encontrar outra agente desaparecida, cuja única esperança está nas mãos de um padre vidente condenado por pedofilia (Billy Connolly).

Com uma abordagem radicalmente diferente do primeiro longa para o cinema, esta continuação é no entanto superior, pela maior facilidade de assimilação por parte da platéia, pelos subtextos envolvidos e pela maturidade demonstrada por seus protagonistas. Por um determinado momento parece que o mistério suscitado vai enveredar por uma trama banal, mas logo depois a bizarrice típica dos melhores episódios da série volta a se instalar na história. Anderson e Duchovny estão em ótima forma, especialmente Anderson, que demonstra em vários momentos que é, de fato, boa atriz.

Imperdível para os antigos fãs, o longa também é altamente recomendado para quem nunca pôs os olhos na série e não deixa passar um trabalho com tema sombrio. Para falar a verdade, ele chega a lembrar de forma absolutamente elogiosa O Silêncio dos Inocentes (Jonathan Demme, 1990). E isso não é dizer pouco.

Penélope (Mark Palansky, 2006) 7/10

Com: Christina Ricci, James McAvoy, Catherine O'Hara, Peter Dinklage, Reese Witherspoon

Por causa de uma malvadeza sem sentido, uma família do século 19 é amaldiçoada por uma bruxa com uma praga peculiar: a próxima menina a nascer em seu meio terá rosto de porco. Por ironia do destino, todos os novos rebentos são homens, até a chegada, nos dias atuais, da adorável e sensível Penélope (Christina Ricci). Uma aberração da natureza, ela é escondida pelos pais até a idade adulta, quando a quebra da maldição passa a ser possível por meio do casamento da moça. O problema é que todos os pretendentes fogem em desespero ao mero vislumbre do rosto de Penélope, até a chegada de um impovável e largado candidato (James McAvoy). Tirando o fato de Christina Ricci carregar este conto de fadas às avessas nas costas, até que o filme é divertido. Ele chega a conter, em certos momentos, um lirismo e cenografia cínicos que poderiam muito bem ter saído da mente de Tim Burton. A produção é de ninguém menos que Reese Witherspoon, que também tem um papel pequeno na história.

Divagações postadas por Kollision de 15 a 23 de Agosto de 2008

Torneios de Vídeo-game “Do Além” – Página Dedicada

Venom
Dr. Doom

Nessa rotina cada vez mais corrida dos dias atuais, uma coisa acaba levando a outra, e muitas vezes o caminho do lazer acaba se cruzando com o profissional e vice-versa.

Estava eu, esses dias atrás, brincando com a versão 2007 do Microsoft Excel para solucionar um problema do trabalho, fazendo umas macros e testando alguns gráficos. Para não prejudicar o arquivo original, decidi abrir o arquivo onde mantenho uma tabela para controle dos resultados dos Torneios de Vídeo-game “Do Além”. E não é que, de brincadeira em brincadeira, acabei fazendo uns gráficos simples mas representativos do desempenho dos competidores?

Aproveitei o ensejo, neste último fim de semana, para preparar uma página especial dos Torneios, que inclui, além dos gráficos do desempenho dos jogadores, algumas outras informações interessantes. Há a distribuição dos jogos por console e por gênero, mini-histórico dos Torneios realizados, registro jogo a jogo dos campeões e perfil individual de cada participante.

Para conferir a página especial dos Torneios “Do Além”, clique aqui. Você também pode acessá-la através do menu principal do site.

Texto postado por Kollision em 12 de Agosto de 2008

Shmup Report 3

OK, another batch of shoot'em ups was beaten! I wonder why I got to the number 11 as a checkpoint for a summary... Whatever.

I should point out that from all these games only Axelay had been beaten before. The reason it's here is because this time I actually looped it without continuing. And because it's also a damn fine game.

For some odd reason, I never really got into the R-Type series during the classic 8/16-bit gaming era. I always preferred SEGA, and the only R-Type available for a SEGA home machine was the port for the Master System, which by some strange reason was impossible to come accross. This gap was recently corrected because I was able to loop the Master System version. Actually, it gets fun after you get over the slow initial speed of the ship and the awful flickering that abounds in the game. Which is not easy by any means, you have to dedicate yourself to each and every one of the 8 stages to see the end.

I took Abadox - The Deadly Inner War for the NES off the shelf by impulse. It seemed cool. It's a sort of game version of the movie Innerspace, where you fly a spacesuit inside an organic body. Abadox is reminiscent of Salamander, even with the horizontal/vertical scrolling mix, but with a difference: the vertical parts scroll downwards. There you have a strange little title!

Shmup Report 3

Mega SWIV for the Mega Drive was released only in Europe, in UK to be exact. It's a pretty standard vertical shooter that tries to be different by offering the possibility of playing with a helicopter and a jeep. That's where difficulty lies: you can't collide with terrestrial enemies with the helicopter but, on the other hand, you can't collide with aerial enemies while using the jeep, whose movement is sometimes blocked by ground walls and obstacles. The graphics are smooth and the music is OK, but I expected more of a challenge in the last stages.

While being just a slight improvement over the previous Arrow Flash, Whip Rush has a few aspects that show some potential. I think it could've been a great game, had Renovation dedicated themselves a little bit more on the graphics department. The game has very claustrophobic parts, especially during boss fights. Out of 8 different speeds, there are times when you do have to use speed 1-2 in order to succeed!

Another European exclusive, Xenon 2 - Megablast is a port of the insanely famous Amiga vertical shooter. Being totally honest, let me just say that the Mega Drive version is one of the worst 16-bit games I have ever played in my entire life. The terribly slow frame rate is maybe superceded only by the annoying music, which remains the same throughout all 4 stages! Yes, I say 4 because there are 4 stages in the NORMAL setting. The game loops after that and the *beep* ending. I didn't have the patience to play it in HARD mode to see if the original stage 5 is in there. Maybe when I lose a bet, who knows... If you want to check some more of me bashing this turd, go to Sega-16's Reader Roundtable for the month of July and read my humble contribution to this awesome website.

From the rarity section of my collection comes Panorama Cotton, one of the highest praised games for the Mega Drive. The Cotton series is very famous, and this is the only instance where you have that cute witch starring in a rail shooter. Indeed the game is beautifully designed and generous in colors. Albeit intense and packed with action, I think it's rather easy, for I completed it with only one credit on the second day I decided to play.

Taking advantage of the theme, right afterwards I gave a shot at Cotton 100% for the Super Famicom. Following the annoying childish trend adopted by Nintendo for the SNES, it's a beautiful but very easy game – a lot easier than Panorama Cotton. The real challenge lies in the last stages only. Well, at least the road is paved for the other Cotton games I have yet to beat!

Few games of the 16-bit era combined gameplay, theme and music in an awesome way like Axelay for the SNES does. I had just one problem with it when I started playing, which is the way your ship defaults to the center of the screen if you let go of the directional pad in vertical stages. After I got past that, it was impossible not to be overwhelmed by the game. Take that epic and mind-blowing last stage, for example. I am a SEGA fan, but I give my compliments to Konami and Nintendo for this one.

I can understand the impact that Panzer Dragoon for the Sega Saturn had over gamers when it was first released, even though it hasn't aged well visually. This is a game that seems to be easy, but actually is hard as hell, demanding continuous play for the purposes of mastering all stages and boss fights. It's remarkably fun after you get deep into the gameplay, and truly deserves all the praise it had initially.

As far as budget releases go, (Shooter) Space Shot is an OK title for the PS1. There are only five stages, that are far from the desired difficulty for a Thunder Force V or Einhänder clone. The developer should've targeted its efforts on improving the game or making it longer, instead of inserting all those unnecessary cut scenes. Who would want to know that much of detail from the story in a shmup? And I didn't even mention how awkward the scoring bonus system is or how annoying the characters sound...

The bullet hell I adopted for the period was Mars Matrix for the Dreamcast. I've come to the word "adopted" because that's what I feel you have to do with these newer shooters: adopt them. If you're no shmup expert player – like me – you'll have to take the bullet hell under your wing and try to master it, day after day, round after round, game over after game over, for some weeks or months... Because that's the only way to get even close to the end with just one credit. Those who played Mars Matrix know how difficult and impossible it can be. As of today, my best performance with 1 credit on the default setting is reaching the last stage (6)...

To finish this post, to the right is another video with some bits of all the games mentioned above. Let's celebrate the best gaming genre ever, folks!

Text posted by Kollision on August 5th, 2008

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