Seguindo nosso plano de conhecer todas as capitais brasileiras, no último feriado de Carnaval demos uma esticada para conhecer mais um pouco das belezas do nordeste, mais especificamente a cidade de Fortaleza.
Chegando ao hotel no Sábado, almoçamos e passeamos um pouco pela praia do Futuro, e à noite conhecemos o famoso restaurante de frutos do mar Coco Bambu. No dia seguinte partimos cedo num passeio para conhecer as praias e as falésias de areias coloridas de Morro Branco e boiar nas águas da lagoa do Uruaú, indo de um lugar a outro com buggy entre as cidadezinhas de Beberibe e Soratinga. Já o destino do almoço e de boa parte da tarde foi a praia de Canoa Quebrada.
Na Segunda-feira fizemos um city tour pela manhã e compramos artesanatos no Mercado Central, partindo para a praia de Cumbuco logo em seguida. O que mais nos chamou a atenção não foi a praia em si, que é bastante agradável, mas a quantidade de estabelecimentos comerciais com placas em coreano! Fui pesquisar e descobri que muitos coreanos se estabeleceram em Cumbuco para trabalhar numa siderúrgica que começou a ser construída nas proximidades anos atrás, e que aparentemente eles já estão bastante integrados à cultura local.
Numa Terça-feira onde praticamente tudo estava fechado, passeamos pelo complexo cultural do Dragão do Mar completamente vazio, indo para o calçadão da Av. Beira Mar em seguida para caminhar e almoçar. O restante do dia foi pura preguiça, com retorno ao calçadão à noite para conhecermos a famosa feirinha de artesanato e degustarmos um último jantar regado a massas e vinho.
Algumas fotos para ficar de lembrança:

Texto postado por Edward em 12 de Março de 2016
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Desde que o shopping de Várzea Grande (município conurbado a Cuiabá) foi inaugurado no mês passado, a população cinéfila cuiabana conta com mais uma alternativa para assistir aos blockbusters de Hollywood.
A rede que assumiu as salas do shopping é a Cineflix, cujo link para a programação coloco abaixo e já consta na tabela lateral de links da página:
Infelizmente, tal qual acontece em 75% dos cinemas da capital mato-grossense, o foco dessas novas salas está em filmes dublados, com poucas sessões exibidas com áudio original e legendas.
Que triste é a realidade cultural de nosso país.
Texto postado por Edward em 28 de Dezembro de 2015
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Assim como aconteceu há alguns anos atrás, quando um assunto passou a tomar mais espaço desse website e deu origem a um novo canto da blogosfera mais obscura, anuncio que estou dando início a mais um novo projeto.
O novo projeto é este:
Neste novo blogue vou estar escrevendo em PT-BR sobre minhas experiências de aprendizado enófilo.
Aos (poucos) leitores que se interessarem, sugiro que marquem essa nova página porque não mais escreverei sobre vinhos por aqui.
Saúde!
Texto postado por Edward em 25 de Outubro de 2015
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Em nosso último passeio de férias em terras andinas escolhemos algumas vinícolas para visitar, algumas mais famosas e outras nem tanto. Os destinos: Santiago no Chile e Mendoza na Argentina.
A experiência e o aprendizado foram fantásticos, assim como as recordações que ficam. Cada vinícola ou bodega tem sua particularidade. Nas visitações algumas dão mais importância ao maquinário, outras ao vinhedo propriamente dito, algumas cobram pela visitação, outras não. Independente disso, todas têm em comum a característica singular de procurar demonstrar como são cuidadosas ao elaborar seus vinhos mais importantes.
Preparem-se, pois esta será uma postagem longa, em texto e fotografias.
Concha y Toro (CHI)
A visita foi agendada para o primeiro horário de uma Sexta-feira, às 10h00. Chegamos cedo e não havia mais ninguém, mas quando estávamos começando o passeio levamos um susto ao ver uma manada de turistas apontando pela entrada principal. Parecia estouro de boiada! O susto foi breve, pois de acordo com a guia aquela era outra turma, de outro horário. Pouco depois juntou-se a nós um casal de mais idade, brasileiros de São Paulo, então fomos somente nós quatro durante o resto do trajeto, que comprrendeu uma caminhada rápida pela parte externa ao casarão antigo da propriedade e pela encruzilhada de videiras preparada para os visitantes.
Seguiu-se a primeira degustação, do Trio Sauvignon Blanc de três terroirs – uma exclusividade da linha que de acordo com a guia não chega ao Brasil (os Trios exportados são todos trivarietais). Depois fomos conduzidos às caves internas da vinícola, que compreendeu uma série de salas de barricas e o famoso Casillero del Diablo (esconderijo do diabo), que fez a fama da Concha y Toro e dá nome a uma das marcas de vinho mais conhecidas do Chile e do mundo. Mais coisa de turista impossível, porém extremamente válido principalmente porque estávamos praticamente sozinhos ouvindo os ruídos produzidos pelo sisteminha de som. Se não me engano, as duas outras degustações que se seguiram foram de um Carmenčre da linha Marquês de Casa Concha e de um Terrunyo Cabernet Sauvignon, este último realmente excepcional.
Seguindo nossa programação de passeio, almoçamos no restaurante da própria vinícola. Havia muita gente degustando petiscos ou mesmo almoçando nas mesas da parte de fora do restaurante, mas como o sol já estava um pouco alto decidimos entrar e curtir o conforto de uma mesa. Detalhe interessante: assim como no restante dos lugares de Santiago que visitamos, a cozinha do restaurante só começa a funcionar para os pratos principais a partir do meio-dia. A decoração do restaurante da vinícola é simples porém muito bem-feita, e ao contrário do que se pode pensar para um lugar tão turístico os preços não estavam abusivos. Nossa escolha de garrafa: Marquês de Casa Concha Chardonnay 2013.
Na saída passamos algum tempo na lojinha para escolher alguns rótulos. Eu esperava encontrar todos os vinhos do portfólio que você vê no site da Concha y Toro, mas não foi isso o que aconteceu. A seleção disponível para venda é mais restrita, mas nem por isso menos memorável.






Cousiño-Macul (CHI)
Saindo da Concha y Toro já no meio da tarde, fomos direto à Cousiņo-Macul para conferir a visitação com degustação premium. O grupo que se formou para acompanhar a visita já era mais numeroso, com pessoas de diversas nacionalidades. Começando do lado de fora da vinícola por um breve resumo de sua história, fomos levados à área interna de barricas tombadas como patrimônio histórico do país, e daí aos tanques e barricas de produção. Vislumbramos a sala onde fica a cave de vinhos exclusivos dos donos e um mini-museu com vários itens de outros tempos da indústria vitivinícola chilena.
Em seguida fomos separados do grupo e encaminhados a uma sala adjacente ao próprio hall da recepção, destinada à degustação premium. Além de cinco rótulos distintos, à mesa estava uma seção de queijos, pães e frutas secas destinados à harmonização com os vinhos. Muito solícito, nosso guia respondeu a todas as nossas perguntas e inclusive indicou restaurantes e lojas que poderiam ser visitadas mais tarde.





INTERLÚDIO
No passeio de van que fizemos para Valparaíso e Viña del Mar, no Valle de Casablanca, fica localizada uma loja de vinhos chamada Río Tinto, que vende rótulos de todo o Chile a preços muitas vezes mais convidativos que nas próprias vinícolas. Solicitada por todos no grupo, a parada lá foi obrigatória para que pudéssemos engordar um pouco mais nossas adegas. O lugar também funciona como bar e restaurante.
FIM DO INTERLÚDIO
Casarena (ARG)
Ainda sentindo a brisa fria da manhã de Mendoza, iniciamos a nossa primeira visita na região de Luján de Cuyo nesta bodega bem estruturada, na companhia de outro casal de brasileiros do Rio Grande do Norte. O guia nos explicou todo o processo e falou sobre as cepas cultivadas na vinícola, mas o ponto alto foi a degustação dos vinhos que ainda estavam em processo de envelhecimento nos tanques de aço inox. Tiramos o líquido diretamente das torneirinhas dos tanques, tanto um tinto (Malbec colhido em 2015) quanto um branco (Blanc de Blancs 2014 composto em sua maior parte por Chardonnay), atestando a natureza áspero do produto que ainda não está pronto para ir à garrafa. Fomos também apresentados à experiência mais recente dos enólogos da Casarena, a produção de uma nova linha Rosé em ovo de concreto.
Terminamos com uma agradável degustação na sala de exposição e vendas. Os vendedores estavam muito bem preparados para atender àqueles que se norteiam por pontuações de revistas especializadas como Wine Spectator ou Robert Parker, apontando nos guias os prêmios e menções honrosas conferidos aos seus melhores rótulos.





Clos de Chacras (ARG)
De característica ainda mais intimista, a bodega-boutique Clos de Chacras nos recebeu para um passeio na hora do almoço. Ali mesmo no pátio, ao lado do restaurante, são explicados como é o processo de recepção das uvas e como funciona o maquinário que faz a sua separação. Em seguida fomos levados aos corredores onde ficam os tanques de concreto antigos (que não mais funcionam) e aos tanques onde ocorre de fato a fermentação e o envelhecimento dos vinhos. Presenciamos os trabalhos de remoção de lotes e também a trasfega por meio de mangueiras.
Nosso almoço no restaurante da Clos de Chacras foi em três passos, com entrada, prato principal e sobremesa harmonizados com três variedades distintas de vinho. Tudo de muito bom gosto e muito bem servido, com ótimo atendimento. Na saída, o jeito foi escolher mais um par de rótulos para levar pra casa.





Achaval-Ferrer (ARG)
Nos últimos anos a Achaval-Ferrer viu seu nome figurar em várias listas de melhores da Argentina, e não é para menos. A vista na chegada da vinícola é belíssima, o que quase nos deu tristeza por estarmos fazendo a visitação ao final do inverno. As degustações, realizadas na varanda da recepção, convidam à contemplação do horizonte enquanto as taças são preenchidas com rótulos de renome como Bella Vista, Mirador e Quimera. Dali mesmo o guia nos levou à área interna da bodega, para um vislumbre rápido do processo e uma rodada rápida de perguntas e respostas. Teríamos ficado um pouco decepcionados se tivéssemos escolhido a Achaval-Ferrer como primeiro destino do dia, mas como já estávamos relativamente alegres devida às estripulias alcoolicas não nos importamos muito com isso.
Além das obrigatórias garrafas de vinho, levamos para casa também o espetacular azeite da Achaval.





Domiciano de Barrancas (ARG)
Domiciano de Barrancas foi a primeira bodega visitada num dia dedicado à sub-região de Maipú. Começamos pela área externa, próxima aos vinhedos, e depois fomos apresentados à linha de produção, que conta com um enorme tanque de concreto que parece inteiriço mas é subdividido internamente e acessado pelos túneis na parte inferior da bodega. Uma das particularidades desta vinícola, a qual é amplamente divulgada tanto na visita quanto no material de divulgação, é que a colheita das uvas é executada durante o período noturno, teoricamente para aproveitar ao máximo o frescor dos bagos e assim produzir vinhos mais frescos e representativos de seu terroir.
Já na sala de degustação, provamos toda a linha de tintos e o Chardonnay, que é a única variedade branca com a qual eles trabalham. A guia teve a cortesia de nos mostrar os famosos chips de carvalho que são utilizados nos tanques de aço inox para passar os aromas amadeirados aos vinhos sem que estes tenham que ser envelhecidos em barricas propriamente ditas (uma prática que nem sempre é divulgada ou mesmo admitida por muitas vinícolas).





Domaine St. Diego (ARG)
Fantástica bodega de administração completamente familiar, a Domaine St. Diego é tão pequena que vende seus vinhos somente em alguns restaurantes locais e ali mesmo. Caminhamos ao longo dos parreirais em companhia da Laura, filha do enólogo e proprietário, enquanto ela explicava com riqueza de detalhes todo o processo de produção, das raízes da planta ao engarrafamento final, passando ainda pelo terroir, pelo processo de irrigação e pela distribuição das vinhas nos vários parreirais.
Além do passeio enófilo ganhamos também uma aula sobre o processo de produção de azeites, que aprovamos e trouxemos conosco. Sobre os ótimos vinhos, um destaque especial vai para o espumante feito exclusivamente com a variedade local Patricia, que faz parte da ousada linha Paradigma.





Finca Agostino (ARG)
Para encerrar o dia e as aventuras enófilas na Argentina escolhemos a Finca Agostino, que não chega a ser tão pequena assim. A estrutura é respeitável, com um casarão que está prestes a se tornar um hotel de luxo e um restaurante igualmente chique. Depois de observamos a extensão da propriedade a partir do deck de madeira localizado sobre a loja, nossa guia nos conduziu através de toda a instalação de vinificação, da área externa onde as uvas são recebidas até os tanques e barricas onde os vinhos são envelhecidos.
A degustação acabou acontecendo durante o próprio almoço, um menu de cinco etapas e cinco harmonizações diferentes. Sinceramente, a refeição perfeita para encerrar as férias na Argentina. E depois ainda degustamos mais alguns rótulos na loja, antes de voltarmos ao hotel para nos recuperar da farra enófila.





Como vocês puderam ver, fica aqui nossa dica de dois destinos turísticos fantásticos para os verdadeiros amantes do vinho.
Saúde!
Texto postado por Edward em 15 de Outubro de 2015
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No último dia 24 de Setembro, Quinta-feira, o Faith No More esteve em São Paulo para um show no Espaço das Américas, evento ao qual este felizardo escriba compareceu.
Somente para situar os leitores que não são muito familiarizados com a história recente da banda, o show fez parte da turnê de divulgação do álbum Sol Invictus, lançado em Maio deste ano, e serviu como aperitivo para a apresentação que eles fariam no dia seguinte no palco principal do Rock in Rio. Sim, aquele show que já está eternamente marcado pelo tombo de Mike Patton ao executar um mosh mal calculado logo no início da apresentação.
Ao contrário da recepção morna do público no show do Rock in Rio, que a meu ver não mudaria em nada mesmo se o já famoso tombo não tivesse acontecido, o show de São Paulo foi fantástico, principalmente pelo fato de ter sido em menor escala e contar com uma audiência de verdadeiros fãs da banda. O Espaço das Américas lotou, pelo menos foi o que deu para perceber de onde eu estava próximo ao palco (entre o Jon Hudson e o Mike Bordin). Achei a estrutura do Espaço das Américas muito boa, com um ar-condicionado que funcionou muito bem até o momento do início do show propriamente dito. Ali no centro da ação e no palco ficou claro que o calor imperava, suor escorrendo da testa de todo mundo.

Quem escalou a banda de esquenta para abrir o evento foi o próprio Faith No More, já que os chilenos do Como Asesinar a Felipes (ou CAF para os íntimos) são apadrinhados da Koolarrow Records, gravadora comandada pelo baixista Billy Gould. É um som que mistura muita eletrônica com pontadas de rock e letras políticas, sendo a característica mais incomum o fato da banda não ter guitarrista. A força do som está no baixo, nos teclados e no traquejo do DJ fazendo os scratches. Na minha opinião o trabalho dos caras é bacana e original, mas deles deveriam tirar o vocalista ou contratar um vocalista com mais potência vocal. Ou talvez seja só a minha percepção de que rock em espanhol não funfa, sei lá...

O set list escolhido pelo Faith No More para o show no Espaço das Américas foi esse:
Abrir o show com Motherfucker já era esperado, e a faixa funciona muito bem para estabelecer o clima. As três músicas seguintes fizeram a alegria dos fãs do disco Angel Dust, em especial Everything's Ruined, que por muito tempo permaneceu exclusiva de estúdio e só recentemente começou a ser tocada ao vivo. Seguiram-se vários medalhões de outros álbuns, entremeados a mais quatro faixas do disco novo. Presenciá-las ao vivo foi fantástico, mas ficou muito claro que a única que tem potencial para se tornar clássica num curto espaço de tempo é a fenomenal Superhero. Matador é outra grande música com potencial de estádio, mas eu trocaria Sunny Side Up e Separation Anxiety facilmente por Black Friday e Rise of the Fall, definitivamente as duas faixas mais estranhas e ao mesmo tempo mais bacanas de Sol Invictus.
Completamente inesperada para muitos foi a inclusão de duas músicas de Introduce Yourself, e nenhuma delas usual para os padrões atuais da banda. Talvez Chinese Arithmetic, mas não a longa The Crab Song, que mesmo sem ser muito conhecida por muitos levantou a galera graças aos riffs de guitarra de outros tempos e às linhas de rap da letra. O hino We Care a Lot ficou de fora, mas a inclusão de From Out of Nowhere no encerramento mais que compensou esse pequeno "deslize". Pedimos We Care a Lot em uníssono, mas fomos sumariamente ignorados.
E eu admito que, para alguém que não gosta de I Started a Joke, a performance de Mike Patton nessa música me impressionou. Quase uma hora e meia de gritaria e a garganta do cara ainda estava impecável. Eu reparei, por exemplo, que ele absolutamente não quebrou a vocalização da linha "RIDE IT ALL THE WAY" ao final de Sunny Side Up (entendedores entenderão). Outras que eu gostaria de ter ouvido? Stripsearch, Cuckoo for Caca, Collision, Falling to Pieces, Jizzlobber, Hippie Jam Song, The Perfect Crime. Talvez algum dia, quem sabe?
Enfim, um show carregado de muita energia, dava pra ver na cara dos caras que eles estão felizes de estar de volta e fazendo sucesso novamente. Fica a expectativa para o lançamento de mais um álbum no futuro, já que algumas declarações apontam para a existência de muito material que ficou de fora de Sol Invictus.
Aos que foram ao Rock in Rio para ver a banda, minhas condolências. Vocês deveriam ter sido mais espertos e ido a São Paulo!
Texto postado por Edward em 3 de Outubro de 2015
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